Projeções do J.P. Morgan apontam crescimento anual de 15%, impulsionado pelo maior acesso a tratamentos contra a obesidade.
O mercado de medicamentos para emagrecimento no Brasil, na China e na Índia poderá movimentar US$ 22 bilhões até 2035, segundo projeções do J.P. Morgan divulgadas em reportagem da Forbes Brasil, com informações da Reuters. Atualmente estimado em US$ 6,6 bilhões, o segmento apresenta perspectiva de crescimento anual de 15%, impulsionada pela ampliação do acesso aos tratamentos e pela redução de barreiras financeiras.
A análise considera a elevada incidência de diabetes e obesidade nos três países, além do potencial de expansão dos medicamentos da classe GLP-1. Tratamentos como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, e Zepbound, da Eli Lilly, ganharam espaço no mercado internacional por sua utilização no controle do diabetes e do peso.
Entre os fatores que poderão favorecer o crescimento estão o vencimento de patentes, a chegada de medicamentos genéricos e medidas de redução de preços. Segundo os analistas do J.P. Morgan, essas mudanças tendem a tornar os tratamentos mais acessíveis em mercados que ainda apresentam baixa utilização dessas terapias.
Brasil poderá movimentar US$ 8 bilhões até 2035
Embora o Brasil represente atualmente o maior mercado entre os três países analisados, o levantamento do J.P. Morgan estima que a China poderá assumir a liderança já em 2027. Até 2035, o mercado chinês poderá alcançar US$ 13,7 bilhões, enquanto o brasileiro tem projeção de US$ 8 bilhões.
O estudo também aponta diferenças relevantes na adoção dos tratamentos. Na China, a penetração dos medicamentos GLP-1 permanece abaixo de 0,1%, enquanto na Índia é inferior a 0,2%. Nos Estados Unidos, esse índice varia de 4% a 5%.
Para o Brasil, a expectativa é que os medicamentos voltados ao tratamento da obesidade alcancem entre 7% e 8% da população obesa até 2035, percentual ainda distante dos aproximadamente 30% projetados para os Estados Unidos.
Na Índia, a expansão enfrenta obstáculos relacionados ao custo dos medicamentos, à resistência aos tratamentos injetáveis e a fatores culturais que influenciam a aceitação dessas terapias.
De acordo com as informações divulgadas pela Forbes Brasil, o relatório também identifica empresas com potencial de exposição ao crescimento desse mercado, incluindo a chinesa Innovent, as indianas Divi’s Laboratories e Torrent Pharmaceuticals e a brasileira RD Saúde.
As projeções apontam para uma transformação gradual do mercado de medicamentos para obesidade e diabetes, com oportunidades associadas à ampliação do acesso aos tratamentos, à concorrência e à expansão da demanda em economias emergentes.


