Os agonistas de GLP 1 ampliaram sua participação no mercado farmacêutico brasileiro e já respondem por mais de 5% do setor em valores.
Entre junho e agosto de 2026, a categoria movimentou aproximadamente R$ 3,8 bilhões, praticamente o dobro dos R$ 1,9 bilhão registrados entre março e maio de 2025.
O avanço também ocorre em volume. As vendas em unidades cresceram mais de 30% no período recente, enquanto, em valores, a categoria acumula expansão superior a 40% desde agosto de 2025, segundo dados apresentados pela Close Up International.
A evolução é acompanhada pela entrada de novos fabricantes e medicamentos, além de mudanças na participação das principais moléculas, movimento que amplia a competição e começa a modificar a dinâmica comercial da categoria nas farmácias.
Tirzepatida amplia liderança no mercado
A tirzepatida ganhou espaço significativo no período analisado. Em agosto de 2025, a molécula concentrava 51,1% das vendas de GLP 1 em valores, enquanto a semaglutida respondia por 46,5% e a liraglutida por 2,4%.
Um ano depois, a participação da tirzepatida avançou para 69,2%, enquanto a semaglutida passou a representar 30,3% e a liraglutida, 0,5%.
A transformação também aparece na composição por fabricantes. A EMS alcançou 9,4% do mercado em valor e 25,8% em unidades após três meses de vendas, indicando o impacto da chegada de novos concorrentes à categoria.
Para Natália Soares, gerente estratégica de negócios da Close Up International, a evolução exige acompanhamento próximo pelo varejo farmacêutico, tanto pelo crescimento em unidades quanto pelas mudanças provocadas pela entrada de novos participantes.
Perfil de consumo revela oportunidades para o varejo
Dados da pesquisa Shopper Farma, acumulados até junho de 2026 e baseados em uma amostra de 3.793 consumidores, mostram que 70% dos compradores de GLP 1 são mulheres. A classe B2 representa 37% da amostra e a geração X corresponde a 49%.
O comportamento de compra também apresenta diferenças entre os grupos analisados. O preço médio por unidade avançou 4,6%, enquanto a quantidade média adquirida por consumidor recuou 4,7%. Entre consumidores da classe A, a média chega a 3,08 unidades.
A análise das compras realizadas no mesmo tíquete evidencia ainda a relação dos GLP 1 com outras categorias comercializadas nas farmácias. Vitaminas e suplementos aparecem em 41% dos casos, seguidos por anti hipertensivos ou medicamentos para colesterol, com 26%, medicamentos para diabetes, com 18%, antiulcerantes e antieméticos, com 14%, e laxantes, com 11%.
Os dados indicam que o crescimento dos GLP 1 pode produzir efeitos sobre o planejamento de mix das farmácias, à medida que necessidades associadas ao tratamento se relacionam com outras categorias de saúde e bem estar.
Jornada de tratamento amplia demanda por outras categorias
A utilização dos medicamentos também está associada a mudanças percebidas pelos consumidores ao longo da jornada. Segundo os dados apresentados, mais de 62% relatam flacidez da pele e mais de 70% mencionam queda de cabelo.
Esse cenário pode ampliar a procura por suplementos, produtos para pele e cabelos, dermocosméticos e acompanhamento especializado, criando novas interações entre a categoria de GLP 1 e outros segmentos presentes no varejo farmacêutico.
A análise, entretanto, deve considerar que essas associações refletem o comportamento e as percepções dos consumidores pesquisados e não estabelecem, isoladamente, uma relação causal entre os medicamentos e os efeitos relatados.
Novos produtos devem ampliar concorrência
A competição tende a aumentar nos próximos anos. No curto prazo, o levantamento aponta sete produtos já aprovados pela Anvisa com lançamento previsto, enquanto outros 11 aparecem na fila de análise.
No horizonte de desenvolvimento também estão novas formas farmacêuticas, incluindo medicamentos orais e implantes, além de uma nova geração de terapias baseadas em incretinas.
Com mais fabricantes, moléculas e apresentações, a categoria pode passar por mudanças adicionais em preços, descontos e programas de suporte ao paciente, ao mesmo tempo em que amplia sua participação no mercado farmacêutico e sua influência sobre o mix comercial das farmácias. Os dados integram levantamento divulgado pela Abradilan sobre a evolução dos GLP 1 no mercado farmacêutico brasileiro.



