A Novo, nova marca corporativa adotada pela Novo, firmou uma parceria estratégica com a dinamarquesa Orbis Medicines para descobrir e desenvolver uma nova geração de medicamentos orais voltados a doenças cardiometabólicas.
O acordo pode alcançar US$ 1,4 bilhão, considerando pagamentos previstos por desenvolvimento e comercialização.
Anunciada em 17 de setembro de 2026, a colaboração terá como foco o desenvolvimento de macrociclos com biodisponibilidade oral para múltiplos alvos cardiometabólicos. A estratégia busca explorar moléculas capazes de atingir alvos que apresentam limitações para medicamentos convencionais e que, em alguns casos, são atualmente abordados por tratamentos injetáveis.
Além dos pagamentos previstos no acordo, a Orbis poderá receber royalties escalonados sobre as vendas futuras dos produtos desenvolvidos. A Novo também realizará um investimento estratégico na biotech, cujo valor não foi divulgado. As empresas não detalharam quanto dos US$ 1,4 bilhão corresponde ao pagamento inicial nem a distribuição dos possíveis pagamentos por marcos.
Inteligência artificial apoia descoberta de medicamentos
A parceria utilizará a plataforma nGen, desenvolvida pela Orbis Medicines. A tecnologia combina inteligência artificial generativa, síntese de alto rendimento e dados experimentais para projetar macrociclos com características adequadas ao desenvolvimento de medicamentos administrados por via oral.
Os macrociclos são moléculas com estrutura em formato de anel que podem permitir a atuação sobre determinados alvos biológicos considerados difíceis para pequenas moléculas convencionais. A plataforma da Orbis busca superar desafios relacionados à biodisponibilidade oral dessa classe.
Segundo a Orbis, sua plataforma utiliza os dados gerados continuamente por processos automatizados de química e triagem para aprimorar o desenho das moléculas. Em estudos pré clínicos, os macrociclos sintéticos da companhia alcançaram biodisponibilidade oral de até 18%, de acordo com informações fornecidas pelo CEO Morten Graugaard à Reuters.
Parceria mira doenças cardiometabólicas
A colaboração combina a plataforma tecnológica da Orbis com a experiência da Novo em obesidade e doenças cardiometabólicas. Os alvos específicos e o número de candidatos que poderão resultar da parceria não foram divulgados.
Para Brian Vandahl, vice presidente sênior de descoberta terapêutica da Novo, a tecnologia da Orbis reúne conhecimentos em química de macrociclos e desenho molecular apoiado por inteligência artificial, com potencial para ampliar as possibilidades de desenvolvimento de opções orais para pacientes com doenças cardiometabólicas.
O acordo ocorre enquanto a Novo busca ampliar e diversificar seu pipeline. Em suas metas estratégicas apresentadas em setembro, a farmacêutica estabeleceu como objetivo lançar mais de cinco medicamentos com potencial de vendas multibilionárias até 2030 e manter pelo menos cinco programas de fase 3 em obesidade e diabetes.
A parceria com a Orbis ainda se encontra na etapa de descoberta e desenvolvimento de candidatos, portanto não representa a criação imediata de versões orais de medicamentos injetáveis atualmente comercializados. Os eventuais produtos precisarão avançar pelas etapas pré clínicas e clínicas antes de uma possível submissão regulatória.



