O varejo farmacêutico brasileiro atravessa uma transformação no gerenciamento de seu portfólio.
Entre julho de 2022 e julho de 2026, o número de marcas comercializadas nas farmácias cresceu 8,2%, passando de 32.526 para 35.206, enquanto a quantidade de SKUs ativos recuou de 206,5 mil para 204,6 mil.
Os dados fazem parte da apresentação A Nova Equação da Farmácia, da IQVIA, realizada durante o CH Talks de setembro, e mostram um ambiente em que mais marcas disputam espaço em um sortimento cada vez mais selecionado.
No mesmo período, o mercado farmacêutico avançou de R$ 177,3 bilhões para R$ 274,4 bilhões, enquanto o número de pontos de venda cresceu 4,8%, de 90,4 mil para 94,7 mil. Apesar da expansão, a concentração permanece elevada, com 13% das lojas respondendo por metade das vendas do setor.
Mais marcas disputam espaço nas farmácias
A mudança no sortimento ocorre em paralelo à redução do número de fabricantes, que caiu 2,3% em quatro anos. Na prática, o canal ganhou aproximadamente 2,7 mil marcas e perdeu 1,9 mil itens ativos, ao mesmo tempo em que passou a contar com cerca de 4,3 mil farmácias adicionais.
Em consumer health, o movimento é ainda mais evidente. O número de SKUs recuou 4,5%, enquanto a quantidade de marcas avançou 8,8%.
A distribuição das vendas também evidencia a necessidade de maior seleção do portfólio. Segundo a IQVIA, 61,1% dos itens são comercializados em menos de 100 lojas e, juntos, representam apenas 1,3% do faturamento.
Os lançamentos também passaram por um processo de seleção. O canal recebeu 42% menos novidades em quatro anos, enquanto o valor adicionado por lançamento passou de R$ 94 mil em julho de 2023 para R$ 200 mil em julho de 2026.
Digital responde por maior parcela do crescimento
A transformação do canal também é impulsionada pelo comércio eletrônico. Em um ano, as vendas digitais do mercado farmacêutico avançaram de R$ 22,6 bilhões para R$ 35,3 bilhões, crescimento de 56,2%.
Segundo o levantamento, o digital respondeu por 69,5% do crescimento incremental do mercado, enquanto o canal físico avançou 5,8%. Entre os medicamentos prescritos, 78,1% do crescimento da cesta veio das vendas digitais, que aumentaram 88,7%.
O movimento é particularmente relevante entre os agonistas de GLP 1. Até julho de 2026, o online concentrava 57,9% das vendas da categoria, ante 5,2% quatro anos antes.
Marca própria quase dobra de tamanho
Outra mudança identificada pela IQVIA está no avanço das marcas próprias das redes. O faturamento desse segmento passou de R$ 3,4 bilhões para R$ 6,6 bilhões no período analisado, enquanto sua participação no sortimento aumentou de 4,2% para 5,7%.
A evolução reforça a busca das farmácias por uma composição de portfólio capaz de equilibrar margem, frequência de compra e capacidade limitada de exposição nas lojas.
Dentro de consumer health, a IQVIA divide o mercado nas jornadas Cuidar, Prevenir e Embelezar. Juntas, elas movimentam R$ 109,1 bilhões, ante R$ 86,5 bilhões quatro anos antes.
As mudanças no portfólio, porém, não são uniformes. Em Cuidar, os SKUs aumentaram 18,3% e os pontos de oferta, 14,9%. Em Prevenir, os avanços foram de 7,3% e 34,1%, respectivamente. Em Embelezar, o número de itens recuou 10,7%, ao mesmo tempo em que os pontos de oferta cresceram 31,5%.
Dados ganham peso na gestão do sortimento
O aumento da complexidade também amplia o uso de dados e inteligência artificial na gestão das farmácias. Entre as aplicações apontadas pela IQVIA estão previsão de demanda, personalização, identificação de oportunidades e análise dos fatores que influenciam o desempenho de categorias, marcas, canais e regiões.
O comportamento do consumidor acrescenta outra variável a esse processo. Em uma pesquisa com 559 pessoas, 49% consideraram pelo menos uma alternativa durante a compra e a mesma proporção acabou mudando de produto ou marca.
Em situações de ruptura, 30% afirmaram aceitar uma alternativa indicada pelo farmacêutico, enquanto 28% optam por uma marca já conhecida. Os resultados reforçam a importância da disponibilidade e da composição do mix no momento da decisão de compra.
A combinação entre crescimento do digital, aumento do número de marcas e redução dos SKUs ativos indica uma mudança nos critérios utilizados pelo varejo farmacêutico para definir seu portfólio. Os dados fazem parte da apresentação A Nova Equação da Farmácia, da IQVIA, realizada no CH Talks de setembro, conforme divulgado pelo Panorama Farmacêutico.



