Ministério da Saúde avalia incorporação da classe enquanto novos registros ampliam a concorrência no mercado farmacêutico brasileiro.
O governo federal avança na avaliação da oferta de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em um movimento que poderá ampliar o acesso aos tratamentos contra a obesidade e gerar novos impactos para a indústria e o varejo farmacêutico.
O Ministério da Saúde confirmou a intenção de disponibilizar gratuitamente esses medicamentos na rede pública, mas a incorporação ainda não foi implementada nacionalmente. A estratégia dependerá dos estudos conduzidos pela pasta e da elaboração de protocolos para determinar quais pacientes poderão receber o tratamento.
Entre as iniciativas em andamento está o Real-Bari, estudo realizado no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre. A pesquisa acompanha 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras condições de saúde e indicação para cirurgia bariátrica, avaliando aspectos clínicos, operacionais e econômicos do uso da semaglutida.
Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro de agonistas de GLP-1 passa por uma expansão da oferta. Segundo o Ministério da Saúde, 14 produtos da categoria já possuem registro no país, movimento que amplia a concorrência e integra a estratégia governamental para reduzir preços e aumentar o acesso aos tratamentos.
Somente em julho, a Anvisa registrou cinco novos medicamentos à base de semaglutida. A produção nacional também ganha espaço, com medicamentos fabricados por empresas como EMS e Germed. Parte das novas opções, no entanto, possui indicação aprovada para diabetes tipo 2, e não necessariamente para o tratamento da obesidade.
A ampliação do número de concorrentes ocorre em um mercado até então marcado pela presença de produtos como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, e Mounjaro, da Eli Lilly. A maior diversidade de medicamentos tende a aumentar a disputa por participação em uma categoria que ganhou relevância no varejo farmacêutico.
Uma eventual incorporação ao SUS acrescentaria uma nova variável a esse cenário. O impacto para as farmácias privadas dependerá principalmente do modelo escolhido para aquisição e dispensação. Caso a distribuição seja concentrada nas unidades públicas, parte da demanda poderá migrar para a rede estatal. A participação de farmácias credenciadas, por outro lado, poderia criar uma dinâmica distinta para o varejo.
Até o momento, não foram definidos publicamente o formato de distribuição, os critérios definitivos de elegibilidade nem o cronograma para uma oferta nacional. Dessa forma, os possíveis efeitos comerciais ainda dependem das decisões que serão tomadas pelo Ministério da Saúde.
Para o mercado farmacêutico, a combinação entre novos registros, produção nacional, maior concorrência e perspectiva de ampliação do acesso pelo SUS coloca os medicamentos GLP-1 entre as categorias a serem acompanhadas nos próximos ciclos de expansão do setor.



