A Hypera Pharma iniciou a comercialização do Semavy em 4 de setembro e já estrutura uma estratégia que vai além da caneta de semaglutida.
Além da presença nas principais redes de farmácias, a companhia passou a associar ao medicamento produtos complementares, programas de desconto e suporte ao paciente, formando um ecossistema em torno da marca.
Segundo relatório da XP Investimentos publicado em 14 de setembro, o Semavy apresenta disponibilidade em diferentes regiões do país, com as apresentações de 1 mg e 0,25/0,5 mg encontradas nas redes pesquisadas. O lançamento coloca a Hypera em um mercado que começou a ganhar novos concorrentes após o vencimento da patente da semaglutida da Novo Nordisk no Brasil, em março de 2026.
O Semavy teve seu registro concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em julho. O medicamento, registrado pela Cosmed, empresa do grupo Hypera, utiliza semaglutida obtida por via sintética e foi aprovado para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, como adjuvante à dieta e à atividade física.
Programa amplia estratégia de acesso
A estratégia comercial inclui o programa de pacientes da Mantecorp Saúde, que oferece condições diferenciadas para a aquisição do medicamento. No levantamento da XP, a caneta de 1 mg apresentava preço a partir de R$ 464,81 para uma caixa, com redução progressiva na compra de duas ou três unidades. Para três caixas, o valor indicado era de R$ 333 por unidade.
No varejo pesquisado, a mesma apresentação era encontrada entre R$ 676 e R$ 697. Para a versão de 0,25/0,5 mg, o programa apresentava preço de R$ 278,89, enquanto os valores regulares observados nas farmácias ficavam entre R$ 405 e R$ 421.
A XP avalia que essa política pode contribuir para acelerar a adoção inicial do Semavy em um segmento no qual preço e disponibilidade passam a ter maior peso à medida que novos produtos chegam ao mercado.
Hypera constrói ecossistema em torno do Semavy
A estratégia também inclui produtos complementares associados à jornada dos pacientes. Suplementos de fibras e proteínas já aparecem vinculados à marca Semavy, enquanto a plataforma da Mantecorp direciona consumidores para essas soluções em conjunto com o tratamento.
Na avaliação da XP, esse movimento indica a construção de um ecossistema de consumo mais amplo, permitindo à Hypera atuar em outras necessidades relacionadas à jornada do paciente além do medicamento injetável.
A expansão ocorre enquanto o mercado brasileiro de semaglutida se torna mais competitivo. Em julho, a Anvisa concedeu simultaneamente registros a cinco novas canetas de semaglutida, incluindo Semavy, Owozy, Seemasun, Zempneo e Orsema. Em agosto, a agência aprovou ainda um genérico da EMS e o similar Semaclique, da Germed.
Semavy pode adicionar R$ 400 milhões à receita
Para a XP, o desempenho do Semavy pode representar uma nova frente de crescimento para a Hypera. Mantido o ambiente de preços observado no início da comercialização, os analistas estimam contribuição equivalente a aproximadamente 1% a 8% da receita da companhia em 2027 e entre 0,6% e 3,7% do Ebitda.
No cenário base da XP, o medicamento acrescentaria cerca de R$ 400 milhões à receita e R$ 60 milhões ao Ebitda em 2027. As projeções são estimativas da corretora e dependem, entre outros fatores, da evolução dos preços e da concorrência no mercado brasileiro de semaglutida.



