O mercado brasileiro de medicamentos agonistas de GLP-1 segue em expansão, acompanhado pelo crescimento das importações de polipeptídeos e pela entrada de novos produtos à base de semaglutida. Dados analisados pelo BTG Pactual indicam que esse movimento vem adquirindo caráter estrutural no país, apoiado pela ampliação da oferta e pelos investimentos da indústria.
Em agosto de 2026, as importações brasileiras de polipeptídeos somaram US$ 199,2 milhões. Apesar da retração de 22,5% em relação ao mês anterior, o montante representa crescimento de 79,8% na comparação anual. Segundo a análise, a variação mensal pode estar relacionada à formação anterior de estoques na cadeia local, sem necessariamente indicar enfraquecimento da demanda.
A trajetória de longo prazo reforça esse cenário. Nos 12 meses encerrados em agosto, as importações alcançaram aproximadamente US$ 2,46 bilhões, avanço de 103% em relação ao período anterior. No acumulado de 2026 até agosto, a alta chegou a 85% na comparação anual.
Para o BTG Pactual, a adoção dos GLP-1 no Brasil atravessa uma etapa de crescimento estrutural. Entre os fatores que sustentam essa evolução estão a maior aceitação entre profissionais de saúde, o aumento da disponibilidade de medicamentos e os investimentos dos fabricantes para ampliar capacidade produtiva, distribuição e acesso.
Novos produtos ampliam mercado de semaglutida
A movimentação também é acompanhada por novas aprovações regulatórias. Em agosto, a Anvisa autorizou novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida, incluindo produtos da EMS e da Germed, ampliando o número de opções autorizadas no mercado brasileiro.
As aprovações dão continuidade à entrada de medicamentos ocorrida nos meses anteriores e apontam para um ambiente de maior competição nesse segmento. Embora preços e datas de lançamento de parte dos novos produtos ainda não tenham sido divulgados, a comercialização do Ozivy, da EMS, oferece uma referência sobre a velocidade com que novos concorrentes podem chegar ao varejo após o registro regulatório.
A ampliação da oferta também tende a modificar a dinâmica competitiva nas farmácias. Com mais fabricantes e apresentações disponíveis, preço, distribuição e disponibilidade passam a assumir papel ainda mais relevante nas estratégias das empresas que disputam espaço na categoria.
GLP-1 ganha dimensão de mercado de longo prazo
O avanço brasileiro acompanha uma transformação mais ampla do mercado de GLP-1. Restrições de oferta observadas nos últimos anos vêm sendo reduzidas à medida que fabricantes ampliam investimentos em capacidade produtiva, criando condições para atender uma base maior de pacientes.
Nesse cenário, a discussão passa a se concentrar menos na consolidação da categoria e mais em sua dimensão potencial. Para mercados ainda com menor penetração, como a América Latina, o aumento da oferta e a entrada de novos concorrentes podem abrir uma nova etapa de expansão.
No Brasil, o crescimento das importações de polipeptídeos, combinado à ampliação do portfólio de medicamentos autorizados, reforça a perspectiva de um mercado mais diversificado e competitivo para os GLP-1.



