A Panvel avança em um novo ciclo de crescimento apoiado pelo aumento das vendas de medicamentos agonistas de GLP 1, pela expansão de sua presença no Sul do país e por iniciativas voltadas à eficiência operacional.
O desempenho levou o BTG Pactual a elevar em aproximadamente 11% suas estimativas para os resultados da companhia, segundo relatório divulgado em setembro.
Os medicamentos da classe GLP 1 estão entre os principais vetores desse movimento. No primeiro semestre de 2026, as receitas da Panvel com a categoria cresceram cerca de 91%. Para o ano, a expectativa apresentada pelo banco é de avanço superior a 60%, com esses produtos podendo responder por aproximadamente 12% da receita da rede nos próximos trimestres.
O crescimento acompanha a expansão do mercado brasileiro de medicamentos indicados para obesidade e diabetes. De acordo com as estimativas do BTG Pactual, o segmento de GLP 1 pode superar R$ 16 bilhões no país em 2026, impulsionado também pelo aumento da concorrência após o fim da patente da semaglutida no Brasil e a entrada de novos produtos.
GLP 1 pressiona margem e amplia vendas
O aumento da participação dos GLP 1 no mix comercial também traz efeitos sobre a rentabilidade. No primeiro semestre, a categoria exerceu pressão de aproximadamente 30 pontos base sobre a margem bruta da Panvel, uma vez que esses medicamentos operam inicialmente com margens inferiores às de outras categorias comercializadas pela rede.
A companhia, porém, compensou esse impacto por meio da diluição das despesas operacionais. Como resultado, registrou expansão de aproximadamente 40 pontos base na margem Ebitda antes do IFRS 16.
Segundo as projeções do BTG Pactual, a margem bruta dos GLP 1 pode se aproximar de 25% até o fim de 2026 e superar 30% no médio prazo, à medida que o mercado amadurece e a dinâmica competitiva da categoria evolui.
Panvel prepara nova etapa de expansão
Em setembro, a Panvel contabilizava 666 lojas, das quais 649 estavam localizadas na região Sul. A operação reunia 421 unidades no Rio Grande do Sul, 123 no Paraná e 105 em Santa Catarina.
Apesar da presença consolidada no mercado gaúcho, a análise identifica espaço para uma expansão mais intensa principalmente no Paraná e em Santa Catarina. A rede está presente em 12 das 13 cidades do Sul com mais de 300 mil habitantes e alcança 86,4% dos municípios com população entre 100 mil e 300 mil pessoas.
A cobertura diminui para 67,7% entre as cidades com 50 mil a 100 mil habitantes e para 5% nos municípios com menos de 50 mil moradores, indicando possibilidades adicionais de crescimento regional.
No primeiro semestre de 2026, a companhia inaugurou 12 lojas. O BTG projeta aceleração do ritmo a partir de 2027, para aproximadamente 45 novas unidades por ano. No planejamento de longo prazo, a Panvel pretende alcançar entre 950 e mil lojas até 2030.
Rede amplia participação no mercado do Sul
A expansão física ocorre paralelamente ao avanço da participação de mercado. No segundo trimestre de 2026, a Panvel alcançou 13,5% do mercado farmacêutico da região Sul, crescimento de 1 ponto percentual na comparação anual.
No Rio Grande do Sul, a participação chegou a 22,4%, enquanto Santa Catarina e Paraná registraram 7,9% e 7,5%, respectivamente.
O ambiente regional inclui concorrentes como Farmácias São João, Clamed, Nissei e RD Saúde. A elevada sobreposição geográfica entre algumas dessas redes evidencia o nível de competição enfrentado pela Panvel à medida que amplia sua operação.
Tecnologia sustenta ganhos de eficiência
A estratégia de crescimento também inclui investimentos em tecnologia. Entre as iniciativas analisadas está um projeto piloto de precificação apoiada por inteligência artificial, que registrou aumento de 27% nas vendas dos produtos selecionados para o teste.
A companhia também trabalha na adaptação do sortimento às características de cada loja, no planejamento de estoques e na redução de rupturas.
No digital, a participação do comércio eletrônico alcançou aproximadamente 34% das vendas no segundo trimestre. Embora o canal apresente margem bruta inferior à operação física, a avaliação do BTG é de que os ganhos de escala podem continuar compensando parte dessa pressão.
Para 2026, o banco projeta receita de R$ 6,33 bilhões, Ebitda de R$ 400 milhões e lucro líquido ajustado de R$ 185 milhões. Em 2027, as estimativas avançam para R$ 7,15 bilhões em receita, R$ 472 milhões em Ebitda e R$ 238 milhões em lucro líquido ajustado.



