Avanço de similares de semaglutida amplia a competição no Brasil, enquanto Mounjaro mantém a liderança em receita no segmento de GLP-1.
O mercado brasileiro de medicamentos da classe GLP-1 alcançou R$ 10,1 bilhões em receita acumulada até agosto de 2026, consolidando o segmento como uma das frentes de maior movimentação recente da indústria farmacêutica. Somente em agosto, as vendas somaram aproximadamente R$ 1,3 bilhão.
Os números fazem parte do relatório GLP-1 Market: The Dashboard, divulgado pelo Itaú BBA em 28 de setembro, a partir de dados de dispensação monitorados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A análise mostra um mercado que continua avançando, mas passa por mudanças na composição das vendas com a chegada de novos concorrentes.
Em agosto, a receita apresentou retração de aproximadamente 8% frente a julho. Segundo os analistas, o movimento ocorreu após três meses de desempenho mais forte e foi influenciado pelas vendas em pacotes, que estimularam a antecipação de compras de medicamentos como Mounjaro e produtos à base de semaglutida.
Mounjaro concentra maior parcela da receita
O Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida, permanece como principal produto do segmento e responde por aproximadamente 65% da receita do mercado brasileiro de GLP-1.
Em agosto, o medicamento movimentou cerca de R$ 845 milhões, queda de 7% em relação ao mês anterior. O volume comercializado também recuou 3%. Para o Itaú BBA, parte dessa desaceleração está relacionada às compras antecipadas estimuladas pelos pacotes disponibilizados anteriormente.
Apesar da oscilação mensal, a instituição projeta crescimento de baixo dígito simples para a receita do medicamento no terceiro trimestre em comparação com os três meses anteriores.
Similares ampliam concorrência em semaglutida
Outra transformação relevante ocorre no mercado de semaglutida. Desde junho, Ozivy, Poviztra e Extensior passaram a disputar espaço com as marcas de referência Wegovy e Ozempic.
Entre junho e agosto, os similares adicionaram R$ 169 milhões em receita, enquanto as marcas de referência registraram redução de R$ 198 milhões. Em volume, entretanto, houve expansão: o número total de unidades de semaglutida comercializadas cresceu 9,2% entre julho e agosto.
O Ozivy apresentou avanço de 55% no período. A expansão ocorreu mesmo diante de relatos de restrições de abastecimento, que podem ser gradualmente reduzidas à medida que a produção ganhe escala.
A maior disponibilidade de alternativas também está alterando a dinâmica de preços. Embora os similares tenham superado as marcas de referência em receita nominal, o crescimento do volume ainda não compensou integralmente a redução dos preços. Como resultado, a receita total de semaglutida caiu cerca de 10% em agosto, para R$ 445 milhões.
Novos concorrentes devem intensificar disputa
O cenário também abre espaço para outros fabricantes. Entre eles está a Hypera Pharma, cujo Semavy é apontado pelo Itaú BBA como um potencial novo participante do segmento.
Segundo as estimativas apresentadas no relatório, o medicamento poderá acrescentar aproximadamente R$ 359 milhões em receita líquida durante seu primeiro ano completo de comercialização. A entrada, contudo, deverá exigir investimentos adicionais em promoção médica, com possível impacto inicial sobre as margens.
Para a indústria farmacêutica, os próximos meses devem fornecer uma visão mais clara sobre os efeitos da ampliação da concorrência. Entre os principais fatores a serem acompanhados estão a resposta da demanda a preços mais acessíveis, o avanço dos similares e a capacidade das marcas já estabelecidas de preservar participação, preço e volume.
O comportamento do mercado também reforça a importância de acompanhar períodos mais longos de vendas. Segundo o Itaú BBA, oscilações mensais podem ser influenciadas por antecipação de compras, disponibilidade de estoque e estratégias comerciais, tornando necessária uma análise contínua da evolução do segmento.



