O Vietnã possui uma das maiores biodiversidades de plantas medicinais da região, mas ainda utiliza apenas parte desse potencial para abastecer sua indústria.
O país conta com mais de 5.100 espécies de plantas e fungos empregados como drogas medicinais, porém a produção nacional atende atualmente apenas entre 25% e 30% da demanda interna, estimada em 60 mil a 80 mil toneladas por ano.
Os dados foram apresentados em um encontro sobre desenvolvimento de matérias-primas medicinais realizado pelo Instituto de Medicina Tradicional do Vietnã. Segundo especialistas participantes, entre os principais obstáculos estão a produção ainda fragmentada, a falta de áreas de cultivo que atendam a padrões de qualidade e a dificuldade de garantir mercado para a produção após a colheita.
O país dispõe de aproximadamente 350 mil hectares considerados adequados para o cultivo de espécies medicinais, incluindo áreas agrícolas e florestais. Entretanto, a área atualmente utilizada para esse fim é de cerca de 59 mil hectares. O cenário indica espaço para expansão da produção, mas também evidencia a necessidade de organização das cadeias de fornecimento, padronização e maior integração entre produtores, empresas e instituições de pesquisa.
Outro desafio está na comercialização. De acordo com os especialistas reunidos no evento, cooperativas chegam a produzir centenas de toneladas de matérias-primas, mas enfrentam dificuldades para encontrar compradores após a colheita. A falta de contratos e de uma demanda mais previsível pode comprometer a expansão das áreas cultivadas e desestimular investimentos no setor.
Para a indústria farmacêutica, destaca-se a necessidade de transformar a biodiversidade disponível em uma cadeia produtiva estruturada, com cultivo padronizado, processamento, controle de qualidade e canais de comercialização. O tema também se conecta à estratégia do Vietnã de ampliar o aproveitamento de seus recursos naturais para o desenvolvimento da medicina tradicional, da indústria farmacêutica e de produtos de maior valor agregado.



