A necessidade de fortalecer a capacidade brasileira de produzir medicamentos, insumos e tecnologias de saúde esteve no centro dos debates da 5ª edição do Fórum Saúde, promovido pela Esfera Brasil em parceria com a EMS.
Realizado em Brasília, o encontro reuniu representantes do governo, órgãos reguladores, setor produtivo e comunidade científica para discutir caminhos para reduzir a dependência tecnológica, ampliar a autonomia produtiva e fortalecer a competitividade da indústria nacional.
No painel de encerramento, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Antonio Anastasia, destacou que a soberania em saúde está diretamente relacionada à capacidade de o País desenvolver e manter uma indústria própria. “Quando falamos em soberania, precisamos considerar a capacidade de o Brasil fortalecer sua indústria e garantir condições para que ela continue colaborando com o poder público”.
A busca por maior autonomia, sem isolamento do mercado internacional, também foi ressaltada por Wadih Damous Filho, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Segundo ele, o Brasil precisa manter a cooperação internacional, mas a partir de uma posição que preserve competências científicas e capacidade produtiva.
A regulação apareceu como outro componente estratégico para esse processo. Leandro Safatle, diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ressaltou a importância de uma estrutura regulatória capaz de acompanhar o desenvolvimento do setor e afirmou que o avanço da indústria passa pelo aprimoramento das normas.
A discussão sobre uma política industrial de longo prazo também esteve entre os principais pontos do fórum. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, defendeu que o Complexo Industrial da Saúde não seja estruturado apenas como resposta a situações emergenciais. “É preciso ter um Complexo Industrial da Saúde que não seja feito para responder à crise apenas quando ela chegar. O problema da pandemia nos mostrou isso”.
O debate ocorre em um momento em que a redução da dependência externa e o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde estão entre as prioridades da política brasileira para o setor. Durante o fórum, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também destacou investimentos em tecnologias como medicamentos biológicos e plataformas de vacinas de RNA, além da perspectiva de ampliar a produção nacional de medicamentos análogos de GLP-1.
Mais do que uma resposta a futuras emergências sanitárias, a discussão coloca a indústria da saúde no centro de uma agenda que envolve política industrial, desenvolvimento tecnológico, ambiente regulatório e segurança no abastecimento. Para o setor farmacêutico, o desafio é transformar as lições deixadas pela pandemia em capacidade produtiva e tecnológica permanente.


