A obesidade já representa um impacto fiscal estimado entre R$ 41,7 bilhões e R$ 44,6 bilhões por ano para o Brasil, segundo análise do Instituto Cordial, responsável pelo Painel Brasileiro da Obesidade, em parceria com a Novo Nordisk. O levantamento aponta que, sem uma mudança no cenário atual, esse custo poderá superar R$ 60,5 bilhões anuais até 2033.
O estudo, que aplicou ao contexto brasileiro um modelo fiscal internacional desenvolvido pela Global Market Access Solutions (GMAS), considera os impactos da obesidade sobre saúde, mercado de trabalho e arrecadação tributária. A estimativa para 2024 equivale a aproximadamente 2% do PIB brasileiro.
Do impacto anual calculado, R$ 29,56 bilhões estão relacionados a custos de saúde, enquanto R$ 9,94 bilhões correspondem à perda de arrecadação tributária e R$ 6,05 bilhões a gastos associados à invalidez. O levantamento também estima que mais de 240 mil aposentadorias estejam associadas ao sobrepeso e à obesidade.
O estudo aponta ainda que uma redução de 1% na prevalência da obesidade poderia representar uma economia estimada em R$ 444,6 milhões por ano aos cofres públicos. No SUS, os custos diretamente atribuíveis à condição, incluindo hospitalizações e medicamentos, são estimados em R$ 1,89 bilhão anuais.
Outro aspecto analisado é o impacto no mercado de trabalho, com efeitos mais acentuados sobre mulheres. A pesquisa relaciona a obesidade a dificuldades de empregabilidade e diferenças de remuneração, ampliando o impacto econômico da doença para além dos gastos diretamente associados à saúde.
Os números colocam a obesidade também como questão econômica e de sustentabilidade do sistema de saúde, além do aspecto clínico, e reforçam a discussão sobre prevenção, diagnóstico e acesso ao tratamento. Como o levantamento foi realizado em parceria com a Novo Nordisk, que atua no mercado de medicamentos para obesidade, essa vinculação deve permanecer explícita na apresentação dos dados.


