Awiqli reduz as aplicações de insulina basal para uma vez por semana e aguarda definição de lançamento no mercado brasileiro.
A Novo Nordisk ampliou a presença internacional do Awiqli, insulina basal de aplicação semanal destinada a adultos com diabetes, com o lançamento do medicamento na Índia em julho de 2026. O país tornou-se o sétimo mercado a receber a terapia, que utiliza a insulina icodeca como princípio ativo e propõe reduzir significativamente a frequência de aplicações em comparação aos tratamentos basais convencionais.
A principal inovação está no regime de administração. Enquanto as insulinas basais tradicionais normalmente exigem aplicações diárias, a icodeca foi desenvolvida para manter sua ação durante uma semana. Dessa forma, pacientes que realizam uma aplicação basal por dia podem passar de aproximadamente 365 para 52 aplicações ao ano.
O mecanismo prolongado está relacionado às características moleculares da icodeca. Após a administração, a molécula se liga de maneira reversível à albumina presente no sangue, formando uma espécie de reserva circulante que permite a liberação gradual da insulina. Sua meia-vida é de aproximadamente 196 horas, o que possibilita a administração em um dia fixo da semana.
Índia amplia presença internacional do Awiqli
O lançamento coloca a tecnologia em um dos maiores mercados mundiais relacionados ao diabetes. Segundo dados apresentados pela Novo Nordisk, a Índia reúne mais de 101 milhões de pessoas com diabetes e outras 136 milhões com pré-diabetes. Cerca de 6 milhões utilizam insulina, número que, de acordo com estimativas da companhia, pode alcançar 9 milhões.
A chegada do Awiqli ao país também amplia a disputa da Novo Nordisk no segmento de insulinas basais, atualmente concentrado principalmente em tratamentos de administração diária.
A terapia é indicada para adultos com diabetes tipo 1 e tipo 2. No caso do diabetes tipo 1, entretanto, a aplicação semanal substitui apenas a insulina basal. Os pacientes continuam necessitando de insulinas rápidas ou ultrarrápidas associadas às refeições.
O desenvolvimento clínico da insulina icodeca foi apoiado pelo programa ONWARDS, que reuniu mais de 4 mil participantes e comparou a terapia semanal com insulinas basais já utilizadas na prática clínica, entre elas degludeca e glargina.
De forma geral, os estudos apontaram capacidade de controle da hemoglobina glicada comparável às alternativas de administração diária. Algumas etapas do programa também registraram reduções de HbA1c superiores com a icodeca dentro das populações avaliadas.
Os resultados, contudo, reforçam a necessidade de acompanhamento individualizado. No ONWARDS 6, realizado com pessoas com diabetes tipo 1, a icodeca apresentou controle glicêmico semelhante ao da insulina degludeca, mas foi observado aumento de episódios de hipoglicemia clinicamente significativa, especialmente durante o período de ajuste das doses.
A duração prolongada da molécula também torna o manejo das doses um aspecto relevante da terapia. Como a insulina permanece ativa por vários dias, alterações no esquema de tratamento precisam considerar seu perfil farmacológico e devem ser conduzidas com acompanhamento médico e monitoramento da glicose.
No mercado brasileiro, a insulina icodeca recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março de 2025, abrindo caminho regulatório para a introdução da tecnologia no país.
Apesar da autorização, ainda não há uma data oficial para o início da comercialização. A Novo Nordisk informou não possuir previsão confirmada de lançamento no Brasil, embora expectativas anteriormente apresentadas pela companhia tenham indicado a possibilidade de chegada ao mercado ainda em 2026.
A expansão internacional do Awiqli sinaliza uma nova etapa para o segmento de insulinas basais, ao introduzir um regime capaz de reduzir sete aplicações semanais para uma. Além da inovação farmacológica, a proposta pode modificar aspectos relacionados à conveniência, adesão e organização da rotina de tratamento, mantendo a necessidade de avaliação médica para definir quais pacientes podem se beneficiar da mudança.


