A AstraZeneca e a Daiichi Sankyo anunciaram resultados positivos do estudo de fase 3 DESTINY-Lung04, que avaliou o medicamento Enhertu (trastuzumabe deruxtecana) como tratamento de primeira linha para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) não escamoso, HER2-mutante, irressecável, localmente avançado ou metastático.
Segundo o comunicado divulgado em 17 de agosto de 2026, o Enhertu demonstrou melhora estatisticamente significativa e clinicamente relevante na sobrevida livre de progressão em comparação ao tratamento padrão global (quimioterapia dupla de platina e pemetrexede combinada com pembrolizumabe). Com isso, o medicamento se torna o primeiro e único tratamento direcionado ao HER2 a superar o padrão de tratamento global em um estudo de fase 3 nesse cenário.
Mutações no gene HER2 são identificadas como alvos moleculares distintos no câncer de pulmão e estão presentes em aproximadamente 2% a 4% dos pacientes com CPNPC não escamoso. Essas mutações são predominantemente observadas em mulheres mais jovens e em pessoas sem histórico de tabagismo, estando associadas de forma independente ao crescimento das células cancerígenas, a um pior prognóstico e a uma maior incidência de metástases cerebrais.
Hoje, o padrão de tratamento global de primeira linha para pacientes com CPNPC HER2-mutante metastático é a combinação de imunoterapia com quimioterapia baseada em platina, mas muitos pacientes não respondem a esse tratamento inicial e acabam apresentando progressão da doença, o que reforça a necessidade de novas opções terapêuticas.
Susan Galbraith, vice-presidente executiva de Oncologia e Hematologia da área de P&D da AstraZeneca, afirmou que o DESTINY-Lung04 se tornou o primeiro estudo de fase 3 a demonstrar benefício em sobrevida livre de progressão frente ao padrão global de tratamento nesse cenário de primeira linha, o que sustenta o potencial do Enhertu para ser utilizado mais cedo no tratamento do câncer de pulmão HER2-mutante, destacando que essa é uma forma agressiva de câncer que costuma afetar pacientes mais jovens.
Já John Tsai, chefe global de P&D da Daiichi Sankyo, ressaltou que o Enhertu já é reconhecido como o primeiro e único conjugado anticorpo-fármaco para o tratamento de segunda linha do câncer de pulmão metastático HER2-mutante, e que os novos resultados mostram que seu uso na primeira linha retarda a progressão da doença em comparação ao tratamento padrão. Leia mais no Pharma Innovation.



