Tozorakimab reduz exacerbações em diferentes perfis de pacientes e pode superar US$ 5 bilhões em vendas anuais no pico
A AstraZeneca apresentou novos resultados clínicos do tozorakimab, medicamento biológico experimental desenvolvido para o tratamento da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Os dados de dois estudos em fase avançada reforçaram as perspectivas da companhia para a terapia, que poderá representar uma nova alternativa para diferentes perfis de pacientes.
Administrado uma vez a cada quatro semanas, o medicamento está atualmente sob análise prioritária da Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, com uma possível aprovação prevista para o primeiro trimestre de 2027. A terapia também passa por avaliação regulatória em outros mercados relevantes, incluindo União Europeia e China.
Nos estudos, o tozorakimab demonstrou capacidade de reduzir as exacerbações da DPOC, episódios de agravamento dos sintomas que podem acelerar a progressão da doença e levar à hospitalização. Entre os ex-fumantes que formaram a população principal da pesquisa, houve redução de 29% nas exacerbações moderadas e de 34% nas graves em comparação ao placebo, ambos associados ao tratamento inalatório padrão.
Considerando a população geral, formada por fumantes atuais e ex-fumantes, as reduções observadas foram de 30% para exacerbações moderadas e de 29% para as graves.
Um dos principais pontos da estratégia da AstraZeneca está no potencial de utilização do medicamento em uma população mais ampla. Os estudos envolveram pacientes com diferentes níveis de eosinófilos no sangue e variados graus de comprometimento da função pulmonar.
Entre pacientes com contagem de eosinófilos abaixo de 150, o tratamento reduziu em 23% as exacerbações moderadas e graves. O resultado chegou a 34% entre aqueles com níveis iguais ou superiores a 150 e a 43% no grupo com contagem igual ou superior a 300.
Mecanismo busca ampliar alcance do tratamento
O tozorakimab atua sobre a IL-33, proteína relacionada a processos inflamatórios e à produção de muco nas vias respiratórias. A AstraZeneca desenvolveu o anticorpo para interferir em duas vias associadas à proteína, abordagem que, segundo a companhia, pode explicar os resultados obtidos em diferentes grupos de pacientes.
A estratégia ganha relevância diante das limitações das terapias biológicas atualmente disponíveis para DPOC. Medicamentos como Dupixent, desenvolvido pela Regeneron Pharmaceuticals e pela Sanofi, e Nucala, da GSK, são direcionados principalmente a pacientes com níveis elevados de eosinófilos.
A possibilidade de alcançar uma população maior sustenta também as projeções comerciais da AstraZeneca. A farmacêutica elevou para mais de US$ 5 bilhões sua expectativa de vendas anuais do tozorakimab no pico. O desempenho potencial do medicamento integra a estratégia da companhia para alcançar receita total de US$ 80 bilhões até 2030.
Posicionamento clínico ainda será definido
Apesar dos resultados, ainda existem questões sobre como o medicamento poderá ser incorporado à prática clínica, especialmente entre pacientes que já são elegíveis para outros tratamentos biológicos.
Como não foram realizados estudos comparativos diretos entre o tozorakimab e as terapias disponíveis, especialistas ainda deverão avaliar em quais etapas do tratamento o novo medicamento poderá ser utilizado. Análises adicionais de subgrupos de pacientes também poderão contribuir para orientar futuras decisões clínicas.
Além da DPOC, a AstraZeneca amplia a investigação do tozorakimab para outras doenças respiratórias. O medicamento está em estudo de fase 2 para asma grave e em fase 3 para doenças virais graves do trato respiratório inferior.
Com o avanço regulatório e a amplitude dos resultados clínicos apresentados até o momento, o tozorakimab se posiciona como um ativo estratégico para o portfólio respiratório da AstraZeneca e poderá ampliar a competição no mercado de medicamentos biológicos destinados às doenças pulmonares.



