O Ministério da Saúde anunciou, em 2 de outubro de 2026, um conjunto de medidas voltadas à ampliação da produção nacional de medicamentos hemoderivados e ao fortalecimento da Hemobrás como polo estratégico de biotecnologia no país.
O anúncio inclui acordo com a chinesa Tiantan Bio para ampliar o abastecimento de imunoglobulina, investimentos em infraestrutura de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), proposta de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) para o emicizumabe e projeto de terapia genética para hemofilias A e B.
O governo federal firmou acordo entre a Hemobrás e a Tiantan Bio para ampliar a produção e o fornecimento de imunoglobulina, medicamento usado no tratamento de doenças do sangue e imunodeficiências. Segundo o Ministério da Saúde, o acordo prevê registro do produto no Brasil, fornecimento inicial pela empresa chinesa, licenciamento e transferência de tecnologia para a Hemobrás, e produção futura no país, com o objetivo de reduzir a dependência externa.
Os detalhes operacionais de fornecimento, cronograma e termos da transferência de tecnologia serão definidos em acordos específicos entre as partes. O movimento reforça a política de soberania nacional em hemoderivados, área historicamente dependente de importações e sujeita a oscilações de oferta e preço no mercado internacional.
O anúncio também prevê a criação de um laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento da Hemobrás, com investimento de R$ 50 milhões por meio do Novo PAC. O espaço será dedicado ao desenvolvimento de novos produtos e processos na área de hemoderivados e biotecnológicos, ampliando a capacidade de inovação da empresa pública.
Paralelamente, o governo informou investimento de R$ 116 milhões em equipamentos para 125 serviços da hemorrede, com o objetivo de modernizar a coleta e o processamento de plasma e aumentar a matéria-prima disponível para produção industrial de hemoderivados.
No campo dos biotecnológicos, o Ministério da Saúde apresentou proposta de PDP com a Roche para o emicizumabe, anticorpo monoclonal usado no tratamento profilático de pacientes com hemofilia A com inibidores.
A iniciativa segue o modelo já utilizado em outras PDPs do SUS, combinando compra pública, redução de preços e transferência gradual de tecnologia para laboratórios públicos ou privados nacionais. Se aprovada, a PDP poderá ampliar o acesso ao medicamento no SUS e reduzir custos em relação às aquisições atuais, além de fortalecer a base produtiva nacional de biotecnológicos de alta complexidade.
O pacote de medidas inclui ainda projeto de terapia genética para hemofilias A e B, com investimento inicial de R$ 5 milhões.
Segundo o Ministério da Saúde, a proposta prevê o desenvolvimento de nanopartículas capazes de carregar genes funcionais para o fígado, com o objetivo de restaurar a produção dos fatores de coagulação deficientes em cada tipo de hemofilia. O projeto está em fase inicial e será conduzido em colaboração com instituições de pesquisa, integrando a estratégia de longo prazo para reduzir a dependência de tratamentos de reposição enzimática e de fatores de coagulação.
Para sustentar a ampliação da produção de hemoderivados, o governo informou a criação de incentivo federal mensal destinado à qualificação dos hemocentros. O recurso será usado para melhorar processos de coleta, triagem e processamento de plasma, com foco em aumentar a eficiência da hemorrede e garantir matéria-prima de qualidade para a produção industrial.
A medida busca corrigir gargalos históricos na captação e no aproveitamento do plasma brasileiro, que limitam a escala de produção de imunoglobulina e outros hemoderivados.
O conjunto de medidas sinaliza um movimento estruturante na política de medicamentos do SUS, com três eixos principais: redução da dependência externa em hemoderivados críticos, como a imunoglobulina; fortalecimento da base produtiva nacional, por meio de PDPs, transferência de tecnologia e investimento em P&D; e inovação de longo prazo, com projetos de terapia genética para doenças raras e de alto custo.
Para a indústria farmacêutica e o ecossistema de biotecnologia, o anúncio abre espaço para novas oportunidades de parceria, desenvolvimento tecnológico e produção local de insumos e produtos de alta complexidade.
Para o SUS, a expectativa é de maior segurança de abastecimento, redução de vulnerabilidades externas e ampliação do acesso a tratamentos essenciais.



