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GreenCare entra na fabricação de medicamento à base de cannabis

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Empresa, fundada por três brasileiros e que pertence ao fundo canadense Greenfield, captou este mês R$ 40 milhões; acaba de comprar unidade fabril em Vargem Grande (SP)

A empresa GreenCare concluiu neste mês uma captação de R$ 40 milhões para investir na fabricação de medicamentos à base de cannabis (maconha) no Brasil. Os fundadores da empresa também vão usar parte desses recursos para pesquisas e aumentar o contingente de consultores, conhecido no mercado como pastinhas, para educação médica.

Companhia foi criada em 2018 por executivos brasileiros – Martim Mattos, ex-diretor financeiro da Hypera (ex-Hypermarcas) e também CEO da empresa, Marcelo Marco Antonio, diretor de relações institucionais e herdeiro da família fundadora do Hospital São Luiz, e Fabio Furtado, diretor comercial e da família do grupo Grid (autopeças). Os acionistas estão começando a preparar a empresa para se tornar uma indústria desse setor.

Atualmente, a GreenCare assessora pacientes que precisam importar este tipo de medicamento e é uma das líderes em prescrição médica. “A demanda desses pacientes passará a ser atendida por farmacêuticas especializadas nesse segmento”, disse Mattos.

Medicamentos à base de canabinoides são usados para tratamento de epilepsia, autismo, depressão, insônia e ansiedade e esclerose múltipla e tem ajudado pacientes que tratam câncer, sobretudo para aplacar a dor durante a quimioterapia. As duas substâncias mais estudadas em todo o mundo são o canabidiol, ou CBD, que tem o efeito mais relaxante, e o tetrahidrocanabinol, ou THC (com efeito alucinógeno). Companhias como a GreenCare, Hempmeds e Entourage ajudam pacientes brasileiros a importar medicamentos à base de canabidiol, mercado em franca expansão no país.

No Brasil, os medicamentos à base de cannabis são vendidos sob prescrição médica e só podem ser importados por pessoas físicas. Com a aprovação da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 327/2019, em dezembro de 2019 e que entrou em vigor em março do ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a regulamentação do registro de medicamentos à base de canabinoides e a venda dos produtos em farmácias. O cultivo da cannabis, contudo, é proibido. Os laboratórios que pretendem desenvolver o medicamento no Brasil têm de importar o insumo.

Com a aquisição de uma fábrica, em Vargem Grande (na Grande São Paulo), os sócios da GreenCare estão preparando o local para receber todas as certificações da Anvisa para desenvolver os produtos no país.

Na primeira fase, a fábrica paulista receberá somente medicamentos prontos para serem vendidos aos pacientes. Após as certificações da Anvisa para o funcionamento do laboratório, a unidade estará pronta para importar os insumos – extratos de óleo de canabidiol (CBD) para formular os medicamentos. A expectativa é de que a produção comece a ser feita a partir do ano que vem. “A matéria-prima será importada de fornecedores da Colômbia e EUA”, diz Mattos, presidente da empresa.

Segundo o executivo, a empresa comercializa 7 medicamentos para o país, boa parte voltada ao sistema nervoso central, e deve chegar a 20 até o fim do ano. A expectativa é também lançar um linha de dermocosméticos nos próximos meses. A companhia teve uma pesquisa clínica aprovada pela Unifesp na área de endometriose.

A “nova farmacêutica” tem intensificado a contratação de consultores para fazer a divulgação para a classe médica. A Greencare tem 80 funcionários no país.

Mattos não revela o faturamento do grupo. Segundo o executivo, o setor de medicamentos à base de cannabis movimenta cerca de R$ 100 milhões no país e esse mercado tem crescido mais de 50% a cada ano. Cada remédio tem valor entre US$ 250 e US$ 700, dependendo do tipo de tratamento.

A GreenCare é uma das empresas do fundo de venture capital Greenfield. Com sede no Canadá, o fundo conta com R$ 170 milhões de recursos já levantados, e tem 16 companhias investidas na cadeia da maconha, que atuam na distribuição, plantio, extração e melhoria genética da erva fora do país. O fundo Greenfield também tem como sócio o empresário brasileiro Nelson Cury, fundador da GeneSeas, empresa de piscicultura dona da marca Saint Peter.

Dados da Anvisa mostram que o total de pacientes cadastrados para importação desses medicamentos somou 26.885 em 2020. Muitos pacientes tiveram de entrar nos últimos anos com processos na Justiça para poder importar os medicamentos. Com a regulamentação das normas da agência sanitária, a importação ficou menos burocrática.

Segundo o gerente de medicamentos específicos da Anvisa, João Paulo Perfeito, a agência recebeu no ano passado 10 pedidos de autorização sanitária para medicamentos à base de canabidiol. Em abril passado, a agência aprovou um fitofármaco, com concentração de THC (Tetra-hidrocanabinol) de até 0,2%, que só poderá ser comprado com receita médica de controle especial e é desenvolvido pela farmacêutica brasileira Prati-Donaduzzi. Até então, o único produto comercializado no país era o Mevatyl, para tratar esclerose múltipla.

“Dos dez pedidos, um foi aprovado e outros sete ainda estão em análise pela Anvisa. Outros dois tiveram o pedido cancelado pelas empresas”, disse Perfeito. O gerente da Anvisa não detalhou se os pedidos de autorização sanitária foram feitos por empresas para importação do insumo para fabricação no país ou para trazer o produto já acabado.

De acordo com o gerente, laboratórios no Brasil podem desenvolver medicamentos desde que importem os extratos. Segundo ele, há estudos sobre cannabis em curso no Brasil e este é um mercado que tem forte potencial para crescer no país.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Valor Econômico 18.02.2021

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