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Pharma InnovationRadarFarmácias receiam que dólar alto afete estoques e defendem reajuste dos medicamentos

Farmácias receiam que dólar alto afete estoques e defendem reajuste dos medicamentos

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Juntos, eles comandam mais mil lojas espalhadas por oito estados brasileiros. Armando Ahmed, presidente da Drogaria Venancio; Pedro Brair, presidente das Farmácias São João; Alexandre Mattar, diretor executivo da Farmácia Indiana; e Marcelo Cançado, sócio-diretor da Rede Drogal, alertam para o risco de ruptura nos estoques em função da alta do dólar. O encontro entre os empresários das redes, vinculadas à Abrafarma, ocorreu na webinar realizada pela XP Investimentos na última quinta-feira, 14 de maio.

Para os executivos, a contínua desvalorização do real vem afetando profundamente a indústria farmacêutica na importação dos insumos e a própria cadeia de logística, onde a utilização do modal aéreo tem fretes cada vez mais caros também pela pandemia mundial. “Caso o governo opte por uma postergação do aumento do preço dos medicamentos, que deverá ocorrer em junho, pode haver um desabastecimento muito grande no estoque das farmácias, uma vez que a indústria é obrigada a importar a matéria-prima por um valor além do planejado”, afirma Ahmed.

Para o CEO da Drogaria Venâncio, toda a cadeia está perdendo com a situação. “Já estamos com alguns medicamentos faltando nas lojas. Grande parte da população já tem dificuldade na adesão ao tratamento por questões econômicas. Mas e se a pandemia se prolongar por muito tempo e começarem a faltar remédios?”, questiona.

Para Cançado, quando se fala em aumento de preços, a correção não incide sobre os 12 meses anteriores, onde o dólar girava em torno de 4% a 5%. “O mercado fechou uma previsão de 3,8%, e temos um agravante que talvez seja maior que o reajuste da inflação. As indústrias previam fechar o dólar a R$ 3,80 e hoje estamos batendo a casa dos R$ 6, para um setor que importa 90% dos insumos”, afirma.

O diretor da Rede Drogal também sente na pele o problema. “Em nossa farmácia de manipulação para a produção de hidroxicloroquina, costumávamos pagar R$ 750 o quilo. Hoje está custando R$ 10 mil. Imagine uma indústria que há dois meses comprava com o dólar a R$ 4 e hoje importa a R$ 6, com previsão de atingir R$ 7. É importante uma sensibilização do governo para que a indústria farmacêutica possa se ajeitar em relação aos custos de produção”, alerta.

Para Mattar, da Farmácia Indiana, o momento é delicado para se abordar reajustes de medicamentos, mas a manutenção do congelamento de preço pode implicar na falta de produtos na hora em que o consumidor mais necessita. “É preciso achar uma solução para termos equilíbrio nos estoques. Em contrapartida, temos reforçado pedidos para atender normalmente à demanda.”

O diretor executivo da Indiana também enfatiza a necessidade de diminuir a concentração da China e da Índia na importação de matéria-prima. “Precisamos refazer nosso parque fabril. O Estado precisa investir no desenvolvimento de drogas para que possamos diminuir nossa dependência internacional”, observa.

Brair, da São João, vai além e ressalta que o segmento farmacêutico, apesar de resiliente, não está imune às dificuldades vividas por outros setores da economia. “O país precisa de união e todos os esforços devem se concentrar no bem-estar e saúde da população”, finaliza.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Panorama Farmacêutico 18.05.2020

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