A Eli Lilly anunciou a aquisição da AtaiBeckley por US$ 2,8 bilhões, marcando sua entrada no mercado de medicamentos psicodélicos voltados ao tratamento de transtornos mentais.
O acordo prevê ainda um pagamento adicional de até US$ 1 bilhão condicionado ao cumprimento de metas regulatórias pelos candidatos em desenvolvimento.
A operação representa um movimento estratégico da farmacêutica para ampliar sua atuação na neurologia e fortalecer o portfólio além dos medicamentos para obesidade e diabetes. A companhia também informou aos acionistas que pretende investir até US$ 25 bilhões em fusões e aquisições ao longo deste ano.
Formada pela fusão entre a atai Life Sciences e a Beckley Psytech, a AtaiBeckley possui três candidatos a medicamentos para doenças relacionadas à saúde mental. O principal ativo é o BPL 003, um spray nasal à base de 5 MeO DMT destinado ao tratamento da depressão resistente, atualmente em fase 3 de estudos clínicos. Os primeiros resultados dessa etapa são esperados para 2029.
Dados das fases anteriores indicaram melhora dos sintomas de depressão resistente em até dois dias após uma única administração, com efeitos que podem permanecer por até oito semanas. Outro diferencial observado foi a duração reduzida da experiência psicodélica, entre uma e duas horas, característica que pode favorecer a aplicação clínica quando comparada a terapias semelhantes.
Além do BPL 003, o pipeline inclui o VLS 01, uma formulação oral dissolvível à base de DMT para depressão resistente, e o EMP 01, cápsula formulada com MDMA voltada ao tratamento da fobia social. A diversidade de candidatos terapêuticos reforça o potencial estratégico da empresa no segmento de neuropsiquiatria.
A aquisição ocorre em um momento de maior interesse da indústria farmacêutica por terapias psicodélicas. Empresas como AbbVie e Definium Therapeutics também desenvolvem pesquisas na área, impulsionadas pelo avanço dos estudos clínicos e por um ambiente regulatório mais favorável nos Estados Unidos.
Para o setor farmacêutico, a operação reforça a crescente busca por novas plataformas terapêuticas capazes de atender necessidades médicas ainda não plenamente contempladas. O movimento também evidencia o aumento da confiança das grandes farmacêuticas no potencial dos medicamentos psicodélicos como alternativa para o tratamento de transtornos mentais, um mercado que analistas projetam alcançar US$ 7 bilhões em vendas globais até 2032.