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Setor de saúde bate recorde em fusões e aquisições neste ano

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Companhias fecham 80 transações e demanda continua aquecida em 2020

O setor de saúde vai encerrar o ano com pelo menos 80 fusões e aquisições envolvendo operadoras, hospitais, clínicas e laboratórios. É o maior volume de transações desde 2000. No ano passado, foram registradas 52 transações, segundo dados compilados pela consultoria KPMG e o Valor.

Esse movimento deve continuar, de acordo com especialistas, assessores financeiros e advogados que já têm negócios de saúde engatilhados para ser fechados em 2020.

O processo de consolidação está sendo puxado pelas operadoras de planos de saúde Hapvida e NotreDame Intermédica. Ambas abriram o capital em abril do ano passado e, desde então, já levantaram R$ 20 bilhões, sendo que parte desse dinheiro ainda está no caixa das empresas para novas transações.

“A cadeia das operadoras verticalizadas é muito grande. Elas compram desde operadoras até hospitais e laboratórios. Neste ano, fechamos oito operações no setor de saúde e temos outros 15 projetos em negociação”, disse Saulo Sturaro, sócio da JK Capital, consultoria que assessorou a venda do laboratório Ecoimagem para o Ghelfond.

No escritório de advocacia Mattos Filho, o volume de operações no setor de saúde mais do que dobrou neste ano. “Acredito que em 2020 vamos continuar esse movimento. Temos hoje mais de dez negócios em andamento”, disse a advogada Maria Fernanda de A. Prado e Silva, sócia do Mattos Filho.

Neste ano, considerando apenas as transações envolvendo as operadoras, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) registrou 31 pedidos de aprovação de compra de controle neste ano (até 17 de dezembro), o que representa um aumento de 24% quando comparado a 2018. As fusões e aquisições de planos de saúde ou dental precisam de aval da ANS.

O ano de 2019 não foi marcado apenas por um grande volume de transações. Os números expressivos se refletem também nas cifras. A Hapvida desembolsou R$ 5 bilhões pela São Francisco e a NotreDame Intermédica concordou em pagar o equivalente a 25 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) pela Clinipam. Trata-se do maior múltiplo já fechado no setor de saúde.

Apostas tão vultosas se devem a uma combinação de fatores demográficos, econômicos e características próprias do setor de saúde.

Hoje, só 25% da população brasileira têm convênio médico e os demais 75% são atendidos por uma rede pública que sofre com superlotação. Além desse público potencial, o setor privado de saúde ainda é extremamente pulverizado. Há no país cerca de 1,2 mil operadoras de planos de saúde e odontológicos, 4,2 mil hospitais e 24,5 mil laboratórios de medicina diagnóstica.

“Esse é um momento relevante para o setor porque está sendo definido quem ficará com as maiores fatias do bolo. A margem das operadoras é baixa e ter escala é fundamental para diluir os riscos da sinistralidade”, disse Marcos Faccioli, diretor de fusões e aquisições do Santander. Faccioli assessorou a Clinipam, vendida pelo múltiplo recorde de 25 vezes o Ebitda.

No entanto, as duas operadoras verticalizadas não reinam sozinhas nesse mercado. Elas concorrem com grandes jogadores como a Rede D’Or que, neste ano, adquiriu a Perinatal, a maternidade mais famosa do Rio, o Hospital Santa Cruz, o mais renomado de Curitiba, e também uma fatia de 10% da Qualicorp. Essas três transações são avaliadas em mais de R$ 3 bilhões e reforçam a liderança do grupo hospitalar, que tem cerca de 7,5 mil leitos no país.

“Há cerca de 4,2 mil hospitais privados no país e a maioria tem menos de 50 leitos. Para ser rentável é preciso ter pelo menos o dobro disso”, disse Bruno Sobral, diretor executivo da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), entidade representante de hospitais.

Breno Monteiro, presidente da CNSaúde, lembra que o segmento hospitalar passa por transformações com os novos modelos de remuneração. Esses são baseados em performance e não em volume, o que pode no futuro tirar de cena aqueles que não trabalham por eficiência. “Outra virada de chave deve acontecer com hospitais filantrópicos. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, cerca de 80% dos hospitais têm mantenedoras. Já tivemos alguns casos como o Samaritano, comprado pela Amil ”, afirmou Monteiro.

Diante de um mercado tão pulverizado e uma legislação que passou a permitir, a partir de 2015, capital estrangeiro em hospitais nacionais, investidores de outras áreas entraram de cabeça no setor de saúde. Um deles é o empresário Elie Horn, fundador da incorporadora Cyrela, que se juntou ao fundo Crescera (ex-Bozano) que, na época, ainda era administrado por Paulo Guedes, atual ministro da Economia. Ambos criaram a Hospital Care, uma holding de hospitais que, em dois anos de operação, dispõe de 700 leitos de internação.

A competição conta ainda com a presença de gestoras de private equity. O Pátria montou um grupo, batizado de Athena, que já é dono de nove hospitais, 47 clínicas médicas e 4 operadoras.

Os investidores demonstram tamanho interesse devido ao envelhecimento da população, que vai consumir mais serviços de saúde. Além disso, há o surgimento de exames de genética que permitem tratamentos médicos personalizados, eficazes e mais caros (pelo menos nos primeiros anos). Empresas de medicina diagnóstica como Dasa e Fleury vêm dando especial atenção a esse negócio. A Dasa é uma das principais investidoras do primeiro programa de sequenciamento do genoma de brasileiros.

De olho no futuro, a fotografia atual mostra várias empresas de saúde num processo de transformação que tende a se acentuar nos próximos anos. O Fleury e a Rede D’Or estão diversificando seu negócio. A companhia de medicina diagnóstica adquiriu uma consultoria de gestão de saúde e, em apenas um ano, viu sua base de clientes aumentar de 200 mil para 900 mil. Além disso montou uma clínica de tratamento ortopédico.

A Rede D’Or, por sua vez, é uma das companhias que mais diversificou seu negócio. Em agosto, o grupo hospitalar adquiriu 10% da Qualicorp, tornando-se um dos maiores acionistas da empresa líder em planos de saúde por adesão. A Rede D’Or também é dona de uma corretora de planos de saúde corporativos com cerca 1,8 milhão de clientes, uma empresa de banco de sangue, laboratório de medicina diagnóstica e clínicas oncológicas.

 

 

 

 

Fonte: Valor Econômico 20.12.19

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