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Dobra a importação de medicamentos à base de cannabis

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No primeiro semestre deste ano foram 7.061 autorizações ante 3.341 no mesmo período do ano passado

O número de autorizações concedidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importação de medicamentos à base de cannabis dobrou no primeiro semestre. Foram 7.061 autorizações ante 3.341 no mesmo período do ano passado. Em junho, por exemplo, o órgão expediu 1.497 autorizações, enquanto em junho de 2019 haviam sido 741.

Medicamentos à base de cannabis têm sido prescritos globalmente para casos de Parkinson, Alzheimer, epilepsia, dor entre outros males. Com a pandemia, cresceu também o número de prescrições para casos de depressão, ansiedade e insônia.

Como muitos laboratórios especializados no uso da planta estão instalados nos EUA, Canadá, Alemanha, Reino Unido, Holanda, Áustria, Israel, Uruguai, Chile, entre outros países, pacientes brasileiros ainda dependem amplamente das importações.

Em dezembro, por meio da resolução 325, a Anvisa simplificou a burocracia para liberar essas importações. O processo que chegou a demorar 90 dias até que os medicamentos chegassem às famílias brasileiras hoje leva de 25 dias a 30 dias. Mas pacientes e seus familiares continuam sendo os únicos que podem adquirir esses medicamentos no exterior.

Além de reduzir a burocracia, a Anvisa também estendeu o prazo de validade das autorizações de importação. Antes, o aval valia por um ano; agora vale por dois.

De acordo com a agência, durante o ano passado foram importadas 18.921 unidades de medicamento feitos com cannabis. Este ano, somente entre janeiro e junho, foram importadas 16.152.

Para empresas que exportam para o Brasil, a flexibilização da Anvisa contribuiu diretamente para o aumento das vendas. “O que a gente viu de imediato foram pacientes com mais interesse no tratamento porque antes a burocracia era muito grande”, diz, referindo-se às medidas da Anvisa, Caroline Heinz, co-CEO da HempMeds, empresa da americana Medical Marijuana. No primeiro semestre de 2019, a empresa exportou para o Brasil 6.737 unidades de medicamentos. No primeiro semestre deste ano foram 9.065.

O Brasil é um dos mercados onde as vendas do grupo têm mais crescido e o próximo passo é lançar uma marca para ser vendida nas farmácias do país – algo que a Anvisa também regulamentou no fim do ano passado.

“Entre janeiro e junho, nossas vendas no Brasil aumentaram quatro vezes”, diz o advogado mineiro Gustavo de Lima Palhares, sócio e CEO do laboratório EaseLabs, que produz medicamentos por meio de parceria nos EUA e exporta para famílias no Brasil.

Ele não revela quantas unidades vendeu no semestre, mas diz que o aumento se deveu à desburocratização dos processos na Anvisa, à maior procura por causa da pandemia e às estratégias comerciais da empresa.

Em junho, a Alvarez & Marsal tornou-se a maior investidora do EaseLabs em uma primeira rodada de investimentos de R$ 3 milhões. A EaseLabs está instalando um laboratório em Belo Horizonte e espera iniciar a venda dos produtos fabricados nele no início de 2021.

“A maior rapidez nos processos da Anvisa está incentivando que mais médicos recomendem essa terapia”, diz Marcelo Sarro, CEO do Centro de Excelência Canabinoide. O centro tem clínica em São Paulo com médicos de várias áreas que prescrevem, a depender dos casos, medicamentos à base da cannabis.

Martim Mattos, CEO da Green Care, outra empresa no ramo, afirma que tanto no Brasil quanto nos EUA, Europa e Canadá a cannabis medicinal mostra grande resiliência nas vendas. Mattos, no entanto, não vê uma relação tão direta entre novas regras no Brasil e aumento nas vendas.

“Hoje as famílias estão buscando mais esse tipo de tratamento e vejo muitos profissionais da área da saúde, médicos, psicólogos, psiquiatras prescrevendo esses medicamentos”, diz Thiago Marques de Oliveira, da Associação Brasileira em Apoio à Cura pela Cannabis.

Ele repete o que parece ser uma visão generalizada das famílias que recorrem aos medicamentos no Brasil: se a aquisição fosse ainda mais simples e o preço, mais baixo, os canabinoides estariam mais popularizados. Hoje uma unidade é vendida por cerca de R$ 2.500.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Valor Econômico 03.08.2020

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