A alta dos preços dos combustíveis está pressionando a distribuição farmacêutica em Portugal e levou a Associação de Distribuidores Farmacêuticos (Adifa) a apresentar ao governo propostas para reduzir o impacto dos custos sobre o setor.
Segundo a entidade, caso os preços atuais dos combustíveis se mantenham, a despesa adicional com transporte poderá chegar a cerca de € 4 milhões por ano.
A Adifa afirma que os distribuidores operam em um mercado regulado, com preços e margens definidos, o que limita a possibilidade de repassar o aumento dos custos ao longo da cadeia. Entre as medidas defendidas estão a inclusão dos veículos que transportam medicamentos no regime de reembolso parcial do gasóleo profissional, benefícios fiscais, isenção do Imposto Único de Circulação (IUC) e redução ou isenção de custos de portagens.
Diante da continuidade da pressão sobre os custos, as distribuidoras admitem como possibilidade reduzir a frequência das entregas às farmácias e até suspender algumas operações aos fins de semana. De acordo com informações divulgadas pela imprensa portuguesa com base em declarações da Adifa, nenhuma das seis empresas representadas pela associação havia decidido, até então, implementar essas medidas. A entidade também afirma que entregas de medicamentos urgentes ou essenciais continuariam a ser realizadas por circuitos prioritários.
Até o momento, a associação informa que não foram registradas rupturas no abastecimento. A associação, entretanto, alerta que a manutenção ou o agravamento dos custos pode comprometer a capacidade de entrega e pressionar a sustentabilidade da operação. As seis distribuidoras associadas percorrem cerca de 47 milhões de quilômetros por ano e entregam aproximadamente 335 milhões de unidades de medicamentos às farmácias portuguesas, segundo dados da entidade.
A dimensão econômica do setor também ajuda a contextualizar a pressão. Estudo elaborado pela Deloitte para a Adifa aponta que a distribuição farmacêutica de serviço completo apresentou margem EBITDA consolidada de 1,9% em 2024, enquanto o setor contribuiu com € 302 milhões para o PIB português naquele ano.



