Crescimento das unidades reforça a transformação das farmácias em hubs de saúde, impulsionado pela expansão de redes e serviços clínicos
O número de farmácias no Brasil cresceu significativamente nos últimos anos, consolidando uma mudança estrutural no varejo farmacêutico. Dados do setor indicam que o país passou de cerca de 78,7 mil unidades em 2020 para mais de 93 mil em 2024, um aumento aproximado de 18% em quatro anos.
Levantamentos da Febrafar e da Abrafarma mostram que a expansão se intensificou no período recente. Ao longo de 2024, foram registradas mais de 15 mil novas aberturas no país, refletindo o dinamismo do setor mesmo em um ambiente econômico desafiador.
Um dos principais motores desse crescimento é o avanço das farmácias independentes. Segundo a Febrafar, elas representam mais da metade das unidades em operação no Brasil e responderam por cerca de 60% das novas aberturas recentes. O modelo associativista, que conecta pequenos estabelecimentos em redes colaborativas, também ganha escala e já está presente em milhares de municípios, ampliando a capilaridade do canal farmacêutico.
Ao mesmo tempo, grandes redes seguem expandindo sua presença, especialmente em centros urbanos e regiões de maior renda. Diferentemente de outros segmentos do varejo, o crescimento do setor não está concentrado apenas em grandes players, mas distribuído de forma ampla pelo território nacional.
A percepção de maior densidade em cidades como São Paulo está associada à concentração populacional, ao poder de consumo e à mudança no comportamento do consumidor. Na capital paulista, o avanço das grandes redes e a disputa por pontos comerciais estratégicos levaram a um cenário de alta saturação em regiões centrais e bairros de maior renda, onde é comum encontrar diversas unidades operando em curtas distâncias.
Por outro lado, o interior do estado de São Paulo tem se destacado como uma das principais frentes de expansão recente. Cidades médias e regiões em crescimento econômico passaram a atrair tanto redes quanto farmácias independentes, impulsionadas por menor custo operacional, menor saturação e demanda crescente por serviços de saúde. Esse movimento contribui para uma distribuição mais equilibrada do canal farmacêutico no estado, ainda que a capital permaneça como principal polo de consumo.
Nesse cenário, a farmácia deixou de ser apenas um ponto de venda de medicamentos e passou a atuar como um hub de saúde e conveniência, incorporando serviços clínicos, testes rápidos e vacinação. Dados do Conselho Federal de Farmácia reforçam essa transformação: somente em 2024, foram realizados mais de 14 milhões de atendimentos clínicos em farmácias no país, um recorde para o setor.
Os dados mais recentes indicam que o crescimento permanece consistente, mas já acompanhado de sinais de maior maturidade. Em 2025, o varejo farmacêutico brasileiro movimentou mais de R$ 240 bilhões, mantendo expansão acima de dois dígitos, segundo análises baseadas em estudos da IQVIA.
Ao mesmo tempo, o número de farmácias que encerraram atividades superou o de novas aberturas em determinados períodos recentes, indicando um ambiente mais competitivo e exigente. Esse movimento aponta para uma fase de consolidação do setor, com maior pressão por eficiência operacional, escala e diferenciação — especialmente para farmácias independentes. Ainda assim, a expansão segue sustentada por fatores estruturais, como o envelhecimento da população, a ampliação do acesso a serviços de saúde e o fortalecimento do papel das farmácias como pontos de cuidado primário.
Portanto, o avanço observado nos últimos anos não representa apenas o aumento no número de lojas, mas uma mudança expressiva no posicionamento do varejo farmacêutico no Brasil.
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