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Bill Gates prevê piora da pandemia e perigo das teorias da conspiração

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O filantropo bilionário Bill Gates fez um prognóstico sombrio para os próximos meses, durante um evento online do TED, a mesma plataforma onde ele alertou, em 2015, para o risco de uma grande pandemia por causa de “um vírus altamente infeccioso”.

Gates e sua mulher, Melinda Gates, se dedicam à fundação que leva seus nomes há duas décadas, focada em questões globais de saúde e, agora, no combate do novo coronavírus. Em 2015, eles ajudaram a criar a Coalizão de Inovações para Prevenção de Epidemias (Cepi, na sigla em inglês), que hoje acompanha o desenvolvimento de vacinas de Covid-19 pelo mundo para garantir a fabricação para países de baixa renda.

No evento, Gates, de 64 anos, falou das razões pelas quais os Estados Unidos devem voltar a ter alta taxa de mortalidade, da improbabilidade de ter vacinas em 2020 e da terapia que lhe deixa mais esperançoso. O bilionário cofundador da Microsoft comentou sobre os mistérios que ainda assombram os especialistas e das bizarras teorias da conspiração que circulam com seu nome.

Aumento de mortes

“Há um risco significativo de voltarmos a ter até 2.000 mortes por dia [nos EUA]”, disse Gates ao organizador do TED, Chris Anderson. “É pior do que eu esperava um mês atrás.”.

“Existe um progresso bom [de inovações], mas nada que mude fundamentalmente o fato de que o outono nos EUA poderá ser bem ruim”, continuou. O outono no Hemisfério Norte começa no final de setembro, e o país atualmente registra média de 500 mortes por dia por Covid-19.

Quais as razões? 

Gates cita como motivos: a falta de distanciamento e a falta do uso de máscaras, reaberturas desastrosas e o sumiço da mudança de comportamento registrada em abril e maio. Tampouco ajuda a chegada do vírus em diversas cidades que não ainda haviam sido afetadas.

“Na região de Nova York, de alguma forma, os números estão caindo, mas em outras partes do país, especialmente no sul, há aumentos que estão compensando [a queda em NY]”, disse. “Será um desafio.”.

Jovens infectados

A taxa de resultados positivos em jovens também aumentou bastante. “No fim das contas, os jovens vão infectar as pessoas mais velhas de novo. O vírus vai voltar às casas de repouso e aos abrigos, lugares onde tivemos muitas mortes”, disse Gates. “O intervalo de tempo e a transmissão de volta aos idosos vão aumentar a taxa de mortalidade [no outono].”.

Boa notícia

Um estudo financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates com o Reino Unido mostrou que terapias com a droga remdesivir ou dexametasona em pacientes graves reduzem a mortalidade em 20%.

“Já temos algumas inovações e teremos mais no outono. Devemos começar a ter anticorpos monoclonais, que é o único tratamento terapêutico que mais me empolga”, disse Gates. “Você sabe, a hidroxicloroquina nunca demonstrou dados positivos. Então, isso praticamente se foi.”.

Sem vacina em 2020

Gates acredita ser improvável ter vacinas prontas ainda este ano.

Ele citou as três que estão em estágios mais avançados: a da Moderna, que começou em março e deve ter alcance apenas nos EUA, da Johnson & Johnson e da equipe da AstraZeneca e a da Universidade de Oxford. Gates falou de outras quatro vacinas que usam abordagens diferentes e que estão três ou quatro meses atrás no desenvolvimento.

“Temos dados de animais que parecem potencialmente bons, mas não são definitivos. Particularmente, será que funcionarão em idosos? Teremos dados de humanos nos próximos meses”, disse. Ele acrescentou que outra grande dúvida será se a vacina terá capacidade de evitar assintomáticos, os principais propagadores da doença.

Produção em massa

“Estamos financiando capacidade da fabricação para muitas dessas vacinas. Negociações complexas estão ocorrendo agora sobre isso. Queremos obter fábricas que serão dedicadas para países específicos, países pobres, de renda baixa e média.”.

Sem falar, nem rir

Gates explicou que as dinâmicas de transmissão do vírus são mais complexas do que os especialistas previram. Em doenças respiratórias, o vírus é geralmente espalhado através da tosse e por pessoas doentes, como na gripe comum e tuberculose. Mas não com o SARS-CoV-2.

“Nesta doença, em seu estágio inicial, a transmissão não é tossindo. É cantando, rindo, falando”, disse Gates. “Se você estiver num quarto e ninguém falar, haverá menos transmissão.”.

Avião mais seguro que bar

Por isso, ele acredita que aviões, por exemplo, apesar de ajudarem a transmissão do vírus, são menos perigosos do que restaurantes ou um coral, porque “você não estará expirando alto [para cantar] ou falando um monte num ambiente fechado.”.

Ainda assim, ele avisa, entrar no avião sem máscara deveria ser proibido.

Grande mistério

Os “super spreaders”, ou super espalhadores, são pessoas com altas cargas do vírus que causam grande número de infecções. Para Gates, é um dos grandes mistérios da doença que intrigam os especialistas.

“Ainda não conseguimos caracterizar quem são os ‘super spreaders’, qual seu perfil, e talvez nunca conseguiremos”, disse. “Pode ser algo bastante aleatório. Eles são responsáveis pela maior parte das transmissões. Mas, infelizmente, ainda não descobrimos como.”.

O perigo das teorias da conspiração

Gates virou alvo de constantes teorias da conspiração na internet, como uma que diz que ele planeja implantar microchips nas pessoas através das vacinas que está financiando.

“A Microsoft tinha sua parcela de polêmicas, mas pelo menos eram relacionadas ao mundo real”, disse Gates, que cofundou a empresa em 1975 e deixou o conselho de diretores em março de 2020 para se dedicar integralmente à filantropia.

“Quando isso surgiu [teorias da conspiração], meu instinto foi fazer piada. Mas as pessoas me alertaram que era inapropriado, porque é uma coisa muito séria. Vai fazer com que as pessoas fiquem menos dispostas a tomar uma vacina quando tivermos uma. Vai ser como as máscaras”, disse. “Estou um pouco inseguro sobre o que dizer ou fazer. É uma novidade para mim.”.

Gates disse que foi um “terrível erro” quando especialistas afirmaram, no início da pandemia, que não era necessário usar máscaras, mas que isso foi devido ao pouco conhecimento da época e medo da falta de máscaras aos profissionais. “Foi um erro e não uma conspiração”, disse. “A máscara é um benefício significativo.”.

Reabrir ou não reabrir

Gates acredita que há benefícios na reabertura de certos espaços, principalmente para a saúde mental, porém tomar a decisão não é algo simples.

“Algumas aberturas criaram mais riscos que benefícios, como reabrir bares tão rapidamente, como fizeram. Bares são algo crítico para a saúde mental? Talvez não”, disse. “Abrir escolas talvez traga benefícios. Agora, você pode ser surpreendido. Casos podem aparecer e você vai precisar mudar. E não será fácil.”.

Sem citar o nome do presidente Donald Trump, Gates criticou a falta de liderança. Ele lembrou que os EUA são o país que mais colocou dinheiro no financiamento de pesquisas básicas de vacinas e liderou o caminho na erradicação de pólio, varíola e HIV, esta última durante o governo do republicano George W. Bush.

“O mundo sempre espera que os EUA estejam no mínimo liderando a mesa de maneira financeira e estratégica”, disse. “E agora, com toda essa incerteza, o mundo se pergunta: quem está na liderança aqui? A saída da Organização Mundial da Saúde é uma dificuldade que espero poder ser remediada em algum momento, porque precisamos dessa coordenação com a OMS.”.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Uol 07.07.2020

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